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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

40 livros grátis de literatura de cordel para baixar

As obras são distribuídas livremente mediante autorização dos autores ou por domínio público

(Crédito: Wikipédia)
(Crédito: Wikipédia)
 A Universia Brasil, maior rede de colaboração universitária presente em 23 países, separou uma lista de livros grátis de literatura de cordel que estão disponíveis para baixar na internet.

Grande parte dos livros são de autores comoLeandro Gomes de Barros e Guaipuan Vieira, membros da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, gênero escrito frequentemente de forma rimada e impresso em folhetos.

Neste estilo literário, alguns dos poemas são ilustrados com xilogravuras, as mesmas usadas nas capas dos folhetos. O nome surgiu da maneira em que os folhetos eram vendidos na rua, pendurados em barbantes.

Confira a seguir os 40 livros grátis de literatura de cordel para baixar:


Monteiro Lobato e o Sítio do Pica-Pau Amarelo


Disponibilizamos para vocês alguns dos livros desse grande autor infanto-juvenil. Veja abaixo.

A maioria das histórias de seus livros infantis se passavam no Sítio do Picapau Amarelo, um sítio no interior do Brasil, tendo como uma das personagens a senhora dona da fazenda Dona Benta, seus netos Narizinho e Pedrinho e a empregada Tia Nastácia. Esses personagens foram complementados por entidades criadas ou animadas pela imaginação das crianças na história: a boneca irreverente Emília e o aristocrático boneco de sabugo de milho Visconde de Sabugosa, a vaca Mocha, o burro Conselheiro, o porco Rabicó e o rinoceronte Quindim.

No entanto, as aventuras na maioria se passam em outros lugares: ou num mundo de fantasia inventados pelas crianças, ou em histórias contadas por Dona Benta no começo da noite. Esses três universos são interligados para a histórias e lendas contadas pela avó naturalmente se tornarem cenário para o faz-de-conta, incrementado pelo dia-a-dia dos acontecimentos no sítio.

  Livros para você ler e se divertir


1 – Reinações de Narizinho (1931) - O livro-mãe, a locomotiva do comboio, o puxa-fila. A saga do Picapau Amarelo começa. Aparecem Narizinho, Pedrinho, Emília, o Visconde, Rabicó, Quindim, Nastácia, o Burro Falante... e o milagre do estilo de Monteiro Lobato vai tramando uma série infinita de cenas e aventuras, em que a realidade e a fantasia, tratadas pela sua poderosa imaginação, misturam-se de maneira inextrincável - tal qual se dá normalmente na cabeça das crianças. O encanto que as crianças encontram nestas histórias vem sobretudo disso: são como se elas próprias as estivessem compondo em sua imaginativa, e na língua que todos falamos nessa terra - não em nenhuma língua artificial e artificiosa, mais produto da "literatura" do que da espontaneidade natural. 
 


2 – Viagem ao céu e O Saci (1932) - Pedrinho consegue obter uma boa dose do pó de pirlimpimpim, o pó mágico que transporta as criaturas a qualquer ponto do Espaço e a qualquer momento do Tempo. Distribuindo pitadas a Narizinho, Emília, Visconde, Nastácia e o Burro Falante, empreende a viagem ao céu astronômico. Vão parar na Lua, onde tia Nastácia vira cozinheira de São Jorge, enquanto os outros visitam Marte, Saturno e a Via Láctea, onde encontram o Anjinho de Asa Quebrada. Enquanto brincam no espaço sideral, vão aprendendo noções de astronomia. Só voltam de lá quando dona Benta os chama com um bom berro: "Já pra baixo, cambada!". Na segunda parte, "O Saci", desenvolve-se a estranha aventura vivida por Pedrinho que conseguiu pegar um saci com a peneira e conservá-lo preso numa garrafa. O diabinho de uma perna só proporciona ao garoto ensejo de conhecer a vida noturna e fantástica das matas - com visões da Mula Sem Cabeça, da Caapora, do Lobisomem, do Boitatá, e das principais criações mitológicas do nosso folclore. 
 


3 – Caçadas de Pedrinho e Hans Staden (1933) - Pedrinho organiza uma caçada de onça e sai vitorioso, como também sai vitorioso do ataque das onças e outros animais ao sítio de dona Benta. Depois encontra um rinoceronte, fugido de um circo do Rio de Janeiro, que se refugiara naquelas matas - um animal pacatíssimo do qual Emília tomou conta, depois de batizá-lo de Quindim. Completa o volume a narrativa feita por dona Benta das célebres aventuras de Hans Staden. Esse aventureiro alemão veio ao Brasil em 1559 e esteve nove meses prisioneiro dos tupinambás, assistindo a cenas de antropofagia e à espera de ser devorado de um momento para outro. Mas se salvou e voltou para a Alemanha. Lá publicou o seu livro: o primeiro que aparece com cenário brasileiro e um dos mais pungentes e vivos de todas as literaturas. 
 


4– Emília no país da Gramática (1934) - Temos aqui uma das obras-primas de Monteiro Lobato e o mais original de quantos livros se escreveram até hoje. Lobato representa a língua como uma cidade, a cidade da Gramática, e leva para lá o pessoalzinho do sítio, montado no rinoceronte. E é esse paciente paquiderme o gramático que tudo mostra e explica. Há a entrevista de Emília com o venerando Verbo Ser, que é pura criação. E a reforma ortográfica, que Emília opera à força, com o rinoceronte ali a seu lado para sustentar suas decisões, constitui um episódio que não só encanta as crianças pela fabulação como ensina as principais regras da ortografia. 
 


5– Aritmética da Emília (1935) - Na Aritmética da Emília, Monteiro Lobato usa do mesmo recurso e consegue, a partir de matéria tão árida como a aritmética, transformar o velho Trajano numa linda brincadeira no pomar. O quadro-negro em que faziam contas a giz era o couro do Quindim. 
 


6– História das Invenções (1935) - Certo dia, dona Benta resolve ensinar física aos meninos, e em vários serões faz um verdadeiro curso da matéria, melhor que quando feito, penosamente, nos colégios. A física perde a sua secura. Os diálogos, os incidentes, as constantes perguntas dos meninos e as ocasionais maluquices da Emília, amenizam o processo do aprendizado (1935).
 


7– O Poço do Visconde (1937) - Um livro interessante em que a geologia, sobretudo a geologia especializada do petróleo, é exposta ao vivo e com profundo conhecimento da matéria. O Visconde vira geólogo, faz conferências, ensina a teoria e depois passa à prática, com a abertura de poços de petróleo nas terras do sítio de dona Benta. E tão bem são conduzidos os estudos geológicos e geofísicos, que a Companhia Donabentense de Petróleo, fundada pelo pessoal do sítio, consegue abrir o primeiro poço de petróleo do Brasil: o Caraminguá nº 1. É o livro pelo qual Monteiro Lobato leva sua campanha pelo petróleo aos leitores infanto-juvenis, como havia feito com os adultos em O Escândalo do Petróleo. 
 


8– Histórias de Tia Anastácia (1937) - São as histórias mais populares do nosso folclore, contadas por tia Nastácia e comentadas pelos meninos. Nesses comentários, no fim de cada história, Pedrinho, Narizinho e Emília revelam-se bem dotados de senso crítico, e "julgam" as histórias da negra com muito critério e segurança. É um livro que "ensina" a arte da crítica - lição que pela primeira vez um escritor procura transmitir às crianças. 


Fonte: MiniWeb Educação

terça-feira, 21 de agosto de 2012

RESUMOS DE ALGUNS ROMANCES DA 2ª FASE MODERNISTA ( PARTE 3 de 3)


9 - A BAGACEIRA - JOSÉ AMÉRICO DE ALMEIDA 

O marco inicial da segunda fase do Modernismo brasileiro é considerado o lançamento do romance A Bagaceira, de José Américo de Almeida, em 1928. Inaugura o ciclo do “romance nordestino” dos anos 30.
O enredo baseia-se no êxodo da seca de 1898, descrito como "(...) Uma ressurreição de cemitérios antigos - esqueletos redivivos, com o aspecto e o fedor das covas podres.(...)".   
Obra-prima do romance regionalista moderno, hoje com trinta e duas edições em língua portuguesa, edição crítica e versões em espanhol, francês, inglês e esperanto. Sua obra, com dezessete títulos, abriga ainda ensaios, oratória, crônica, memórias e poesia.
A história se passa entre 1898 e 1915, os dois períodos de seca.
Tangidos pelo sol implacável, Valentim Pereira, sua filha Soledade e o afilhado Pirunga abandonam a fazenda do Bondó, na zona do sertão. Encaminham-se para as regiões dos engenhos, no rejo, onde encontram acolhida no engenho Marzagão, de propriedade de Dagoberto Marçau, cuja mulher falecera por ocasião do nascimento do único filho, Lúcio.
Passando as férias no engenho, Lúcio conhece Soledade, e por ela se apaixona. O estudante retorna à academia e quando de novo volta, em férias, à companhia do pai, toma conhecimento de que Valentim Pereira se encontra preso por ter assassinado o feitor Manuel Broca, suposto sedutor e amante de Soledade. Lúcio, já advogado, resolve defender Valentim e informa o pai do seu propósito: casar-se com Soledade. Dagoberto não aceita a decisão do filho. Tudo é esclarecido: Soledade é prima de Lúcio, e Dagoberto foi quem realmente a seduziu. Pirunga, tomando conhecimento dos fatos, comunica ao padrinho (Valentim) e este lhe pede, sob juramento, velar pelo senhor do engenho (Dagoberto), até que ele possa executar o seu "dever": matar o verdadeiro sedutor de sua filha. Em seguida, Soledade e Dagoberto, acompanhados por Pirunga, deixam o engenho e se dirigem para a fazenda do Bondó. Cavalgando pelos tabuleiros da fazenda, Pirunga provoca a morte do senhor do engenho Marzagão, herdado por Lúcio, com a morte do pai.
Em 1915, por outro período de seca, Soledade, já com a beleza destruída pelo tempo, vai ao encontro de Lúcio, para lhe entregar o filho, fruto do seu amor com Dagoberto.

PERSONAGENS:

ü  Dagoberto Marçau - Proprietário do engenho Marzagão, simboliza a prepotência,  contrapondo-se à fraqueza dos trabalhadores da bagaceira. Considera-se "dono " da justiça e seu código é simples: "O que está na terra é da terra". Se ele é o senhor da terra, tudo que nela dá é da terra (ou seja, dele próprio). "Se ele é o senhor da terra, tudo que nela se encontra lhe pertence, até os próprios homens que trabalham no engenho. Assim pensa e assim age. Seduz  Soledade, vendo  na sertaneja semelhança com sua ex-mulher.

ü  Lúcio - Humano, idealista, sonhador, apaixona-se por Soledade, com quem mantém um romance puro. Não compartilha as idéias de seu pai, Dagoberto Marçau, para quem "hoje em dia não se guarda mais na cabeça: só se deve guardar nas algibeiras. "Acreditava que  se podia desmontar a estrutura anacrônica do engenho: "Quanta energia mal empregada na desorientação dos processos agrícolas!  A falta de método acarretava uma precariedade responsável pelos apertos da população misérrima. A gleba inesgotável era aviltada  por essa prostração  econômica. A mediania do senhor rural e a ralé faminta".

ü  Soledade - Filha de Valentim Pereira, representa a beleza agreste do sertão. Aos olhos de Lúcio, a sertaneja. "não correspondia pela harmonia dos caracteres às exigências do seu  sentimento do tipo humano. Mas, não sabia por que, achava-lhe um sainete novo na feminilidade indefinível. As linhas físicas não seriam tão puras. Mas o todo picante tinha o sabor esquisito que se requintava em certa desproporção dos contornos e, notadamente, no centro petulante dos olhos originais."... "Era o tipo modelar de uma raça selecionada, sem mescla, na mais sadia consanguinidade."A presença da sertaneja no engenho colocará uma barreira ainda maior entre Dagoberto e Lúcio. Por  Soledade Valentim se torna assassino e Pirunga causa a morte do senhor de engenho.

ü  Valentim Pereira - Representa o sertão: destemido, arrojado e altivo. Como bom sertanejo pune pela honra de uma mulher, mata o feitor Manuel Broca, apontado como sedutor de sua filha. Mas a  "ideia fixa da honra sertaneja" vai além: a cicatriz que lhe marcava o rosto era resultado de uma briga mortal com um amigo, que desonrara uma  moça, neta de um "velhinho", de quem o tempo quebrara as forças. O diálogo entre Valentim e Brandão de Batalaia (assim se chamava o "velhinho")  é bem ilustrativo: "Que é que vossamecê manda? Ele respondeu que só queria era morrer. Eu ajuntei: E por  que não quer matar?...”

ü   Pirunga - Filho de criação de Valentim Pereira, a quem tributa lealdade. Ama Soledade, mas seu amor não encontra receptividade. Assim como Valentim, simboliza o sertão: valente, intrépido, altivo... Por ocasião da festa no rancho , vai em defesa de Latomia: enfrentando a polícia."O sertanejo fazia frente a toda tropa na confusão do conflito corpo a corpo. Seu olhar fuzilava na treva como um sabre desembainhado."

O relato abre o ciclo do romance de 1930, entre outras razões por sua força de denúncia dos horrores gerados pela seca.
É digno de nota o prefácio que vale tanto ou mais do que próprio texto narrativo. Destaque para o espanto do escritor face às mazelas: "Há uma miséria maior do que morrer de fome no deserto: é não ter o que comer na terra de Canaã."

Na narrativa há um choque de três visões que correspondem a três processos socioculturais distintos:

1) Visão rústica dos sertanejos, com seu sentido ético arcaico.
2) Visão brutal e autoritária do senhor de engenho, representando a velha oligarquia.
3) Visão civilizada (moderna, urbana) de Lúcio, traduzindo um novo comportamento de fundo burguês e
    que logo seria autorizado pela Revolução de 30.

Significativo é o projeto modernizador do personagem Lúcio ao assumir o comando do engenho: alfabetização dos filhos dos trabalhadores, melhores condições de habitação, etc. Ou seja, aquilo que Getúlio Vargas proporia nos anos seguintes como alternativa para o país.
O livro apresenta uma mistura (mal resolvida) de linguagem tradicional - dominada por um tom desagradavelmente sentencioso - com um gosto modernista por elipses e imagens soltas, e ainda pelo uso de algumas expressões coloquiais ou regionais.
Fora sua notável importância histórica, A Bagaceira é um romance frustrado por causa do excesso de análise sociológica. É como se a ânsia do autor em tudo explicar, destruísse todo e qualquer efeito sugestivo da narrativa. Luís Costa Lima explicitou bem esse defeito: " A falha central do novelista é a sua incapacidade de ultrapassar o realismo mais primário."

10 - INCIDENTE EM ANTARES ÉRICO VERÍSSIMO


O último romance do escritor Érico Veríssimo, foi publicado no ano de 1971. A obra, enquadrada no estilo modernista, é de cunho político e está dividida em duas partes em que os acontecimentos reais se misturam à ficção.

Na primeira parte da obra, o autor nos apresenta a fictícia cidade de Antares e as relações políticas entre as facções dos Campo Largo e dos Vacariano até o dia do famoso incidente.
A cidade de Antares é um pequeno município do Rio Grande do Sul que em sua concepção, em 1853, fora comandada por Chico Vacariano até que um oponente, Anacleto Campo Largo, aparece para disputar o domínio do feudo, dando origem à rivalidade entre as duas famílias por cerca de sete décadas.
Com o passar do tempo e com o advento da modernidade, na década de 30, a cidade recebe a vista de Getúlio Vargas que consegue aplacar a rivalidade entre as duas famílias e consegue formar uma aliança entre eles.
Com o tempo, a cidade vai seguindo os acontecimentos políticos: a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, inaugurando o Estado Novo; a queda dele; o governo de Dutra; o retorno triunfante de Getúlio em 1951; o atentado a Lacerda, combatente feroz de Getúlio; o suicídio de Getúlio; a eleição de JK; a construção de Brasília; o governo de Jânio Quadros que fora obrigado por forças terríveis a desistir do cargo, entre outros acontecimentos da história brasileira até que, em 1963, ocorre o incidente mencionado no título do livro.
Morrem na cidade, inesperadamente, sete pessoas entre eles a matriarca da família dos Campolargo, mas os coveiros, estando em greve, se recusam a enterrar os mortos que adquirem “vida” e passam a vasculhar a vida de seus familiares e a apontar os defeitos e a podridão moral da sociedade.
Os defuntos exigem que as autoridades os enterrem em um prazo máximo de 24 horas ou prometem ficar a apodrecer no coreto da cidade. Enquanto esperavam por uma resolução do governo, decidem visitar seus amigos e parentes.

Na segunda parte - Ao meio dia, os mortos e os vivos se encontram na praça da cidade para discutir o problema da greve e os mortos revelam os segredos sujos de todos da cidade. Após um tremendo rebuliço, a greve termina, os mortos são finalmente enterrados e a cidade decide negar e desmentir o incidente a todos os jornalistas que procuram desvendar o que acontecera em Antares.
Por fim, a cidade segue seu curso e as “máscaras” são gradativamente recolocadas.

11 - O TEMPO E O VENTO ÉRICO VERÍSSIMO

Trata-se de um conjunto de sete livros, que conta à história da formação do povo Rio Grande do Sul, Érico Veríssimo de uma maneira original e fascinante mistura ficção com fatos da realidade político e social do Brasil: como a guerra dos Farrapos, a era Vargas, entre outros.

A obra divide-se em:

ü  O Continente;
ü  O Retrato;
ü  O Arquipélago.


O CONTINENTE - A história remonta ao século XVII, época da evangelização dos jesuítas, e o encontro de um índio, Pedro Missioneiro, criado pelos padres jesuítas e Ana Terra, do encontro dos dois nasce Pedro Terra. Ana Terra é obrigada a partir em caravana, quando castelhanos invadem a fazenda da família, matam seu pai e irmãos e a violentam, mas ela consegue esconder o filho, chegam então ao lugar que mais tarde se tornaria a cidade de Santa Fé, onde se passa toda a trama. O romance passa-se por várias gerações da família Terra, Cambará, Caré e Amaral, Pedro Terra cresce e tem uma filha Bibiana Terra, que se casará com capitão Rodrigo Cambará, moço muito bonito e galanteador, com espírito desbravador e aventureiro, que morre em batalha.

O RETRATO- No início do século XX, Licurgo Terra Cambará, e seus filhos Toríbio e Rodrigo vivem no Sobrado, a casa mais bonita e famosa da cidade, o primeiro é homem rude e ama o campo, já Rodrigo gosta de luxo e vai estudar medicina em Porto Alegre, de onde volta com todas as novidades da época, como gramofone, vinhos, conservas, etc. Vive em conflito com o pai que é homem conservador e não se deixa seduzir pela sofisticação do mundo moderno. Rodrigo volta também com a ideia de exercer a profissão, se casar, para esquecer a vida regada a mulheres e muito dinheiro que teve na capital, quer se tornar “homem sério”, já seu irmão Toríbio vive de aventuras. Rodrigo, bonito, vaidoso, e galanteador, mesmo depois de casado continua a ter aventuras. No auge de sua mocidade, um amigo seu espanhol, pinta seu retrato em tela gigante, que se torna sua uma espécie de ponto de reflexão e comparação para Rodrigo, em todas as épocas de sua vida.

O ARQUIPÉLAGO- Rodrigo passa por várias fazes em sua vida, após a morte da filha que mais adorava Alicinha, ele larga o ofício de médico e vai para a carreira política, onde se envolve em negociações não muito corretas, como troca de favores e tráfico de influências. No final de sua vida ele já doente, e de cama, após um ataque no coração, não encontra o apoio em sua família, sua esposa se quer dirige-lhe a palavra, arrasada e machucada após as várias aventuras do marido, seus filhos não o admiram e não concordam com seu tipo de vida, e estão mais interessados na herança. A história passa a ser contada sob o ponto de vista de Floriano, filho de Rodrigo, que representa o lado oposto do pai, reflexivo e tímido, vive o trauma de nunca ter tido a admiração do pai, pelo fato de ter se acovardado na frente de um campo de batalha. Fato que rebaixava o rapaz, por ter tido em seus antepassados grandes guerreiros, e todos morridos em combate. E também sob o ponto de vista de Silvia, agregada da família, que tem um amor platônico por Floriano, mas acaba se casando com seu irmão, por conveniência, os dois tem uma vida infeliz e vazia, e Silvia não consegue engravidar, para desgosto de todos.

O romance acaba com a morte de Rodrigo e o fim de toda aquela geração, que já não seguiriam os passos do pai. Encontramos nesta obra, romance, aventura e análises psicológicas profundas que segundo informações são os questionamentos do autor diante de seus conflitos com a família e a própria vida, no final o abraço entre Rodrigo e Floriano, representa o perdão do próprio Érico ao pai e a si mesmo.






RESUMOS DE ALGUNS ROMANCES DA 2ª FASE MODERNISTA ( PARTE 2 de 3)

5 - GABRIELA CRAVO E CANELA - JORGE AMADO




Modernismo de segunda fase Gabriela Cravo e Canela é dividido em duas partes, que são em si divididas em outras duas. A história começa em 1925, na cidade de Ilhéus.

A primeira parte é Um Brasileiro das Arábias e sua primeira divisão é O langor de Ofenísia. Vai centrando-se a história nesta parte em dois personagens: Mundinho Falcão e Nacib. Mundinho é um jovem carioca que emigrou para Ilhéus e lá enriqueceu como exportador e planeja acelerar o desenvolvimento da cidade, melhorar os portos e derrubar Bastos, o inepto governante. Nacib é um sírio ("turco é a mãe!") dono do bar Vesúvio, que se vê em meio a uma grande tragédia pessoal: a cozinheira de seu partiu para ir morar com o filho e ele precisa entregar um jantar para 30 pessoas em comemoração a inauguração de uma linha automotiva regular para a cidade de Itabuna. Ele encomenda com um par de gêmeas careiras, mas passa toda a parte procurando por uma nova cozinheira.
No final desta pequena parte aparece Gabriela, uma retirante que planeja estabelecer-se em Ilhéus como cozinheira ou doméstica, apesar dos pedidos do amante que planeja ganhar dinheiro plantando cacau.

A segunda secção desta primeira parte é A solidão de Glória e passa-se apenas em um dia. O dia começa com o amanhecer de dois corpos na praia, frutos de um crime passional (todo mundo dá razão ao marido traído / assassino), segue com as preparações do jantar e a contratação de Gabriela por Nacib. No jantar acirram-se as diferenças políticas e, na prática, declara-se a guerra pelo poder em Ilhéus entre Mundinho Falcão (oposição) e os Bastos (governo). Quando o jantar acaba (em paz), Nacib volta para casa e, quando ia deixar um presente para Gabriela silenciosa mas não inocentemente, tem com ela a primeira noite de amor / luxúria.

A segunda parte chama-se propriamente Gabriela Cravo e Canela e sua primeira parte, o capítulo terceiro, chama-se O segredo de Malvina.

O terceiro capítulo, passa-se cerca de três meses após o fim do outro capítulo, e três problemas existem: o caso Malvina-Josué-Glória-Rômulo, as complicações políticas e o ciúmes de Nacib. Vamos pela ordem. Josué era admirador de Malvina, filha de um coronel com espírito livre. Esta começa a namorar Rômulo, um engenheiro chamado por Mundinho Falcão para estudar o caso da barra (que impedia que navios grandes atracassem no porto de Ilhéus). Josué se desaponta e se interessa por Glória, amante de um outro coronel. Rômulo foge após um escândalo feito pelo machista (tão machista quanto o resto da sociedade ilheense) pai de Malvina, Malvina faz planos de se libertar e Josué começa um caso em segredo com Glória. Na política, acirra-se a disputa por votos ao ponto do coronel Bastos mandar queimar toda uma tiragem do jornal de Mundinho. Mas Mundinho ganha terreno com a chegada do engenheiro. E perde quando esse foge covarde. E ganha com a promessa da chegada de dragas a Ilhéus. Nacib enquanto isso desenvolveu um caso com Gabriela. Mas está sendo atacado pelos ciúmes (todos querem Gabriela, perfume de cravo, cor de canela). Aos poucos ele percebe que é amor e acaba propondo casamento a Gabriela após a última investida do juiz (alarme falso, ele já havia desistido). Mas foi a tempo, já que até roças do poderoso cacau de Ilhéus já haviam sido oferecidas a Gabriela. O capítulo acaba durante a festa de casamento de Nacib e Gabriela (no civil, já que Nacib é muçulmano não-praticante), quando chegam as dragas no porto de Ilhéus.

A quarta e última parte chama-se O luar de Gabriela. Nesta resolvem-se todos os casos. Pela ordem: Josué e Glória oficializam a relação e Glória é expulsa de sua casa por seu coronel. Na parte da política, após o coronel Ramiro Bastos perder o apoio de Itabuna (e mandar matar, sem sucesso, seu ex-aliado; o quase assassino foge com a ajuda de Gabriela, que o conhecia), ele morre placidamente em seu sono, seus aliados reconhecem que estavam errados (a lealdade era com o homem, não suas idéias) e a guerra política acaba com Mundinho e seus candidatos vencedores. Quanto a Nacib e Gabriela... Gabriela não se adapta de jeito nenhum à vida de "senhora Saad", para desespero de Nacib. Nacib acaba anulando o casamento ao pegá-la na cama com Tonico Bastos, seu padrinho de casamento. Mas ninguém ri de Nacib; pelo contrário, Tonico é humilhado e sai da cidade, o casamento é anulado sem complicações (os papéis de Gabriela eram falsos) e Gabriela sai de casa. Nacib fica amargurado e vai se recuperando. As obras na barra se completam com sucesso e Nacib e Mundinho abrem um restaurante juntos. O cozinheiro chamado pelos dois é... convidado a se retirar da cidade por admiradores de Gabriela, que acaba sendo recontratada por Nacib. Semanas depois, Nacib e ela reiniciam seu caso, tão ardente como era no começo e deixara e ser após o casamento.
Num epílogo, o coronel, assassino dos dois amante da primeira parte, é condenado à prisão. Cheio de uma crítica à sociedade ilheense, a própria linguagem do autor muda quando foca-se a atenção em Gabriela. Torna-se mais cantada, mais típica da região (como é a fala de todos), deixando a leitura cada vez mais saborosa.

6 - FOGO MORTO JOSÉ LINS DO REGO

 PERSONAGENS PRIMÁRIOS:

ü  José Amaro: um dos protagonistas da obra, tem fama de lobisomem;
ü  Sinhá: mulher de José Amaro;Marta: filha de José Amaro;
ü  Capitão Antônio Silvino: cangaceiro que Marta apoiava;
ü  Floripes: o negro;
ü  Luís Cezar de Holanda: genro de Tomás Cabral de Melo;

PERSONAGENS SECUNDÁRIOS:

ü  Amélia - esposa de Coronel Lula
ü  Adriana - esposa de Capitão Vitorino
ü  Neném - filha de Coronel Lula
ü  Luís - filho do Capitão Vitorino (o único em ascensão social)
ü  Tenente Maurício: opressor, comanda uma tropa de facínoras.
ü  Negro Passarinho: cantor ingênuo, escravo recém-liberto, corroído pelo vício da bebida.
ü  Coronel José Paulino: senhor de engenho que se alia a todos os governos.
ü  Cego Torquato: agente de ligação com Antônio Silvino
ü  Cabra Alípio: devotado de corpo e alma ao cangaço
A narrativa faz parte do ciclo-de-açúcar e é dividida em três partes, cada uma delas apresentando o que acontece em torno de seus personagens principais: Mestre José Amaro, o engenho de Seu Lula e o Capitão Vitorino Carneiro da Cunha.

A primeira parte enfoca principalmente a figura de um velho seleiro frustrado - Mestre José Amaro. Chegou ao Engenho Santa Fé trazido pelo pai, o velho Amaro; "homem valente que viera de Goiana, com uma morte nas costas". Devido às andanças pela noite, Mestre José Amaro ganha fama de lobisomem. Sustentavam que saía em busca de sangue. Culpa toda a sua infelicidade na esposa, Sinhá, e na loucura da filha Marta. Apoiava o cangaceiro Capitão Antônio Silvino, o único que levava justiça aos pobres e colocava medo nos grandes. Devido a uma intriga com o negro Floripes, recebe intimação de deixar a sua casa no Engenho Santa Fé. As brigas com o senhor de engenho somam-se às desilusões com a própria profissão e com a vida familiar. A mulher o abandona, a filha é levada para a Tamarineira. Não suportando as frustrações e a solidão, Mestre José Amaro acaba por suicidar-se.

O engenho de seu Lula é o título da segunda parte e retrata a história do Engenho Santa Fé, erguido pelo capitão Tomás Cabral de Melo. O engenho prosperava no pulso firme de trabalho do capitão. O seu genro Luís César de Holanda Chacon, não gostava de trabalhar para a prosperidade do engenho e só tinha ares aristocráticos e uma compulsão por rezas. O Santa Fé entre em rápido declínio. Seu Lula maltratava os negros e após a abolição todos se retiraram exceto o negro Macário.

A terceira parte tem por título o Capitão Vitorino, compadre de Mestre Amaro e que até a segunda parte do romance era visto apenas como motivo de zombaria. Falava mal de tudo e de todos que não gostava, inclusive dos senhores de engenho. O mestre Amaro considerava-o vagabundo e falador. Contudo, na terceira parte Vitorino é apresentado como verdadeiro herói quixotesco, que vivia lutando e brigando por justiça e igualdade, sempre em defesa dos humildes contra os poderosos da terra. Não media consequência em desafiar as autoridades e até mesmo ao cangaceiro Antônio Silvino. Falava o que pensava e sonhava com dia em que governasse.
É notável a habilidade de José Lins do Rego em encadear as três partes narradas, que se direcionam para mostrar a decadência do engenho e o que acontece com seus habitantes.

7 - MENINO DE ENGENHO JOSÉ LINS DO REGO

 Em Menino de Engenho, temos a situação socioeconômica do engenho de açúcar que marcará a parte mais significativa das produções de José Lins do Rego. As tensões sociais apontadas pelo menino narrador-protagonista da história serão dinamizadas nos romances posteriores, em especial em Fogo Morto. Outros temas de sua obra são aqui indicados: o misticismo e a religiosidade populares, o cangaceirismo; a atmosfera é de tristeza e de decadência.
Publicado em 1932, Menino do Engenho é a estreia em romance de José Lins do Rego e já traz os valores que o consagraram na Literatura Brasileira. O primeiro aspecto é a sua filiação à Prosa Regionalista Modernista.

Durante a década de 30 do século XX, virou moda uma produção que se preocupava em apresentar a realidade nordestina e os seus problemas, numa linguagem nova, introduzida pelos participantes da Semana de Arte Moderna de 22. José Lins do Rego seria o melhor representante dessa vertente, se certas qualidades suas não atenuassem fortemente o tom crítico esperado na época.
A intenção do livro afastou a visão político-social do romance. Nascido com a intenção de ser memórias (o primeiro título de fato ia ser Memórias de um Menino de Engenho), o autor está mais preocupado em reunir flashes do passado do que em produzir uma análise aprofundada de sua realidade (essa técnica faz lembrar o estilo impressionista de O Ateneu, de Raul Pompéia, romance que o próprio José do Lins do Rego cita em Menino de Engenho. No entanto, as comparações só se tornarão mais nítidas na sequência dessa obra, Doidinho). Dessa forma, tudo será carregado de um saudosismo que tornará a obra melosa, sentimental, próxima da idealização da realidade, muitas vezes até ingenuidade. É o que impossibilitará o fôlego para uma crítica social mais efetiva.
Há quem enxergue nessa inocência um ponto positivo para tornar a obra uma das mais brasileiras de nossa literatura. Existe a ideia, real ou atribuída, de que nosso povo tem um olhar afetivo sobre tudo, o que o torna submisso, passivo, avesso a protestos e revoluções. Ideia questionável, mas interessante.
É o que de fato enxergamos na atitude do seu narrador-protagonista. Talvez seu histórico explique tais atitudes. Quando tinha quatro anos, seu pai, de forma passional, acaba assassinando sua esposa, o que o faz ser preso e depois ser colocado num hospício. Por causa disso, passa a ser criado pelo avô, José Paulino, senhor de engenho.
Recebe todos os mimos, pois é criança da cidade e vítima de tão gigantesco infortúnio. Pouco depois, desenvolve “puxado” (asma), o que o torna mais vulnerável ainda. Somando-se à saudade da mãe e do pai, e à maneira largada com que é criado (só tem atenção mesmo da tia, que pouco depois se casa), acaba tornando-se uma criança melancólica, que passa horas ensimesmada enquanto caça passarinhos em plena solidão.
Em suma, tudo isso contribui para que José Lins do Rego toque na realidade de maneira bastante emotiva, o que camufla problemas graves. Percebemos isso principalmente na idealização que faz do seu avô, José Paulino, um senhor do engenho, dono do Santa Rosa (há quem entenda que um dos problemas está na narração em primeira pessoa, muito utilizada pelo autor, o que torna sua visão limitada, graças à subjetividade. Talvez isso explique por que seus melhores romances são Usina e Fogo Morto, em que se usa a terceira pessoa, garantidora de objetividade, ou seja, espírito crítico aguçado). Na sua visão infantil, não percebe que, como riquíssimo proprietário, é um concentrador de terra e de renda, chegando a achar natural a pobreza dos trabalhadores, não estabelecendo ligação entre os dois fatos.
A inocência (a inocência pode ser justificada pela fidelidade que o narrador manteve em relação ao pensamento infantil. Há momentos em que ele chega a reconhecer as falhas desse tipo de pensamento, demonstrando que, adulto, passou a desenvolver mais criticidade. Mas não é um argumento que possa ser aplicado a todo momento na obra) do protagonista é tamanha que doura a doença e a subnutrição das famílias dos peões, considerando-os superiores, por mais resistentes, a ele próprio.
Pode-se até perdoar o relato da cheia destruidora e assassina como um motivo de festa. Criança agita-se mesmo com tais mudanças de rotina. Ou até as descomposturas que o senhor de engenho passava em seus empregados, mesmo o serviço estando adiantado. Ou mesmo a submissão muda a que estes se submetiam diante do patrão. Mas choca a apresentação de José Paulino como alguém que se intromete nas atribuições do Estado. Tudo bem que resolva medicar seus escravos (cuida da amputação do dedo de um deles) com a mesma medicina tosca com que tratava seus familiares. Mas quando o avô parte para fazer justiça pelas próprias mãos, de forma até violenta, ou influencia o Judiciário quando há julgamentos que envolvam algum seu protegido, a característica de seu poder muda de figura. E o pior é que o narrador, Carlos, ainda diz que seu avô era um santo que plantava cana.
Tudo isso contribui para que José Lins do Rego crie toda uma crença de que o poder gerado pelos senhores de engenho tornava o mundo melhor, talvez uma filosofia, como amplamente demonstrada aqui, baseada numa idealização do passado. O problema é o autor viveu numa época de transição da substituição do sistema do engenho (método de produção de açúcar de cana de forma artesanal) para a usina (produção industrial). Dessa forma, seu saudosismo é um canto para uma sociedade que não existe mais.
Como se disse, se essa emotividade compromete o olhar analítico do autor, que era exigido em sua época, mantém uma presumida fidelidade ao jeito de ser brasileiro. Essa criança, largada no engenho, passa sua infância entre brincadeiras com os primos, os filhos dos empregados, ouve as conversas das negras na cozinha, além das histórias fantásticas e folclóricas da Velha Totonha ou as que narravam os feitos políticos, estas na boca do avô. Nosso país está aqui.
Em meio aos relatos do cotidiano do engenho, suas festas e sua labuta, há espaço para a sexualização precoce do protagonista, que se dá primeiro observando as coberturas dos bovinos e equinos e depois presenciando (e quem sabe participando de) bestialidades.
Nesse contexto, fica até interessante a separação que tentará estabelecer entre seu histórico lascivo, aumentado pelas masturbações provocadas pela Negra Luísa, e a paixão que vai desenvolver por uma prima civilizada, de Recife, Maria Clara. Tenta manter a menina longe da imagem sexual, mas sempre explodem em sonhos desejos de forte, apesar de reprimida, conotação carnal.
Dessa forma, o inevitável ocorre. Agarra-se em chamegos a Zefa Cajá, mulher que era caso de quase todo mundo na região. Apesar das resistências dela, que alegava o menino ainda cheirar a leite, acaba se deixando seduzir (provavelmente se faz de ser comprada, graças ao tanto que ele furtava da casa grande para ela) e inicia-o sexualmente. A consequência, mais ou menos esperada, é pegar doença venérea.
Torna-se então o símbolo do menino perdido, apesar de bem visto por algumas pessoas, por simbolizar um prodígio de masculinidade. Isso tudo apressa sua ida ao colégio interno, o que acelera o final da narrativa, abrindo caminho para a próxima obra, Doidinho.

8 - O QUINZE RACHEL DE QUEIRÓS 


PRIMEIRO PLANO - VICENTE E CONCEIÇÃO

O primeiro e mais popular romance de Rachel de Queiroz é O Quinze. O título se refere a grande seca de 1915, vivida pela escritora em sua infância. O romance se dá em dois planos, um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família, o outro a relação afetiva de Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora.
O enredo é interessante, dramático, mostrando a realidade do Nordeste brasileiro. No interior do Ceará, na fazenda Logradouro, perto de Quixadá, Conceição fora passar suas férias com a avó, que chamava de mãe Nácia. Conceição não chegou em um momento muito feliz, pois a seca estava forte, matando a vegetação e os animais. Vicente, seu primo, que morava com seus pais e suas irmãs em outra fazenda, fazia esforços sobre-humanos para que o gado conseguisse passar pela seca sem que fosse preciso soltá-lo para que morresse longe, como muitos fazendeiros faziam, devido ao desespero. Eles se amavam, mas Conceição estava em dúvida, pois estava acostumada na cidade, havia estudado e Vicente não passava de um fazendeiro semianalfabeto.
Conceição é apresentada como uma moça que gosta de ler vários livros, inclusive de tendências feministas e socialistas o que estranha a sua avó, Mãe Nácia - representante das velhas tradições. No período de férias, Conceição passava na fazenda da família, no Logradouro, perto do Quixadá. Apesar de ter 22 anos, não dizia pensar em casar, mas sempre se "engraçava" à seu primo Vicente. Ele era o proprietário que cuidava do gado, era rude e até mesmo selvagem.
Com o advento da seca, a família de Mãe Nácia decide ir para cidade e deixar Vicente cuidando de tudo, resistindo. Trabalhava incessantemente para manter os animais vivos. Conceição, trabalhava agora no campo de concentração onde ficavam alojados os retirantes, e descobre que seu primo estava "de caso" com "uma caboclinha qualquer". Enquanto ela se revolta, Mãe Nácia à consola dizendo: "Minha filha, a vida é assim mesmo... Desde hoje que o mundo é mundo... Eu até acho os homens de hoje melhores."
Vicente se encontra com Conceição e sem perceber confessa as temerosidades dela. Ela começa a trata-lo de modo indiferente. Vicente se ressente disso e não consegue entender a razão.
As irmã de Vicente armam um namoro entre ele e uma amiga, a Mariinha Garcia. Ele porém se espanta ao "saber" que estava namorando, dizendo que apenas era solícito para com ela e não tinha a menor intenção de comprometimento.
Conceição percebe a diferença de vida entre ela e seu primo e a quase impossibilidade de comunicação. A seca termina e eles voltam para o Logradouro.

SEGUNDO PLANO - CHICO BENTO E SUA FAMÍLIA

Sem dúvida a parte mais importante do livro. Apresenta a marcha trágica e penosa do vaqueiro Chico Bento com sua mulher e seus 5 filhos, representando os retirantes. Ele é forçado a abandonar a fazenda onde trabalhara. Junta algum dinheiro, compra mantimentos e uma burra para atravessar o sertão. Tinham o intuito de trabalhar no Norte, extraindo borracha.
No percurso, em momento de grande fome, Josias, o filho mais novo, come mandioca crua, envenenando-se. Agonizou até a morte. O seu fim está bem descrito nessa passagem:        "Lá se tinha ficado o Josias, na sua cova à beira da estrada, com uma cruz de dois paus amarrados, feita pelo pai.
Ficou em paz. Não tinha mais que chorar de fome, estrada afora. Não tinha mais alguns anos de miséria à frente da vida, para cair depois no mesmo buraco, à sombra das mesma cruz."
No Campo de Concentração, Conceição reconhecia muitas famílias, que moravam perto da fazenda de sua avó; um dia reconheceu seu compadre Chico Bento e sua família, que depois do desespero passado conseguira chegar à cidade; um dos filhos morreu envenenado, o outro desapareceu, sua mulher e o filho mais novo em estado lastimável. Conceição com muita pena, depois de ajudá-los, ficou com seu afilhado, que estava muito doente; tratou-o com carinho e conseguiu que ele se salvasse. Depois de muito desespero, muita fome, crimes cometidos, muito horror, choveu no Ceará.
Uma cena marcante na vida do vaqueiro foi a de matar uma cabra e depois descobrir que tinha dono. Este o chamou de ladrão, e levou o resto da cabra para sua casa, dando-lhes apenas as tripas para saciarem. Léguas após, Chico Bento dá falta do seu filho mais velho Pedro. Chegando ao Aracape, lugar onde supunha que ele pudesse ser encontrado, avista um compadre que era o delegado. Recebem alguns mantimentos mas não é possível encontrar o filho. Ficam sabendo que o menino tinha fugido com comboeiros de cachaça. Notem:
"Talvez fosse até para a felicidade do menino. Onde poderia estar em maior desgraça do que ficando com o pai?"
Ao chegarem no campo de concentração, são reconhecidos por Conceição, sua comadre. Ela arranja um emprego para Chico Bento e passa a viver com um de seus filhos. Conseguem também uma passagem de trem e viajam para São Paulo, desistindo de trabalhar com a borracha.
O mais famoso livro de Rachel de Queiroz é mediano com alguns bons momentos.


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